terça-feira, 25 de fevereiro de 2014
Lançado o Livro da Criação, de Rubens Saraceni
O lançamento de Rubens Saraceni: “O Livro da Criação” apresenta um olhar Umbandista para a compreensão de Olorum (Deus) e os Orixás (Divindades) na origem de Tudo e na cosmologia Umbandista.
Este novo livro representa uma contribuição inestimável para a construção da Teologia de Umbanda Sagrada.
Precisamos aprender a pensar a Umbanda com cabeça umbandista
Isto quer dizer: pensar a nossa própria realidade a partir da Umbanda e pensar a Umbanda por meio de uma realidade umbandista, e desta forma alcançar uma visão de mundo umbandista, que é algo urgente para a sobrevivência e independência de nossa religião.
Se continuarmos pensando o mundo de uma forma espírita, católica ou candomblecista a Umbanda continuará em segundo plano como, apenas, uma prática mediúnica, “mediunismo”, e não como a religião que é de fato e de direito.
Esta tomada de posição é necessária para que a Umbanda seja respeitada como religião. Sabemos que a Umbanda é uma religião, no entanto, que religião é esta que continua pensando e interpretando o mundo, a vida e a si mesma por meio de outras religiões? Não existe segurança doutrinária, teológica ou racional para o praticante que desconhece os fundamentos de sua própria religião.
A Umbanda se encontra hoje em um ponto de amadurecimento em que é preciso encontrar a sua visão de mundo. Isto é algo que todas as religiões mais antigas já passaram. Todas as religiões beberam do conhecimento e sabedoria de outras religiões em sua formação e, com o tempo, foram desenvolvendo e encontrando a sua própria teologia, sua própria visão de mundo e de si mesma.
Na Umbanda, hoje, por meio da obra e da mediunidade de Rubens Saraceni, temos a grata oportunidade de ver um rico material teológico autenticamente umbandista.
Nos seus mais de cinquenta títulos psicografados e publicados, Rubens Saraceni já vem apresentando os fundamentos da religião de Umbanda Sagrada. E agora, o conteúdo deste volume nos parece chegar como um amadurecimento de sua própria obra. Mais uma vez, vamos constatar que tudo tem a hora certa para acontecer. Eis que está em nossas mãos todo um conjunto de conhecimentos e fundamentos para pensar Olorum e os Orixás com uma visão totalmente umbandista.
Entre tantas revelações sobre Olorum e os Orixás presentes neste livro, uma das questões que mais me chama a atenção é a explicação que apresenta o Todo a partir do lado interno e do lado externo da criação. O lado interno, totalmente desconhecido, é o lado interno de Olorum, já o lado externo é sua exteriorização por meio das realidades divina, natural e espiritual.
Só esta forma de pensar o universo e a criação já nos apresenta chaves de interpretação que nos permitem um olhar que privilegia e explica a presença de Olorum e dos Orixás no início de tudo. E o que nos surpreende é a riqueza de detalhes e informação com que o autor espiritual vai explicando e desdobrando questões pertinentes à Criação. De forma minuciosa, vamos passando a ter uma visão umbandista sobre Olorum e os Orixás Originais. Sim, uma visão umbandista!
Temos aqui uma Teologia de Umbanda que identificamos como Teologia de Umbanda Sagrada, a qual, é importante que se diga, propõe que toda a Umbanda seja sagrada, pois não há uma Umbanda Sagrada e outra Profana. Utilizar o termo Umbanda Sagrada é uma homenagem e referência ao mentor espiritual de boa parte desta Teologia, o Preto-velho Pai Benedito de Aruanda, que sempre se refere à Umbanda, toda Ela, como Umbanda Sagrada.
Esta Teologia segue uma vertente popular, uma linguagem simples, fácil e acessível. Esta é uma Teologia para quem quer entender a Umbanda em seus fundamentos básicos que ainda estão sendo explicados à luz da Umbanda. Para nós, isto é o mais importante: receber do astral as explicações da Umbanda à luz da Umbanda. Ou seja a Umbanda explica a Umbanda!
Todas as religiões são boas. A melhor religião é aquela que faz de você uma pessoa melhor. Seguir uma religião e sua verdade é uma escolha. Você pode receber este material como uma revelação da Umbanda para os umbandistas, ou pode continuar pensando e crendo por meio dos valores de outras religiões. A escolha é sua, sempre. Por isso, a Umbanda é uma religião tão livre, nossos mentores no oferecem o que há de melhor para nossas vidas, ainda assim, a escolha de pegar estas sementes é sempre nossa.
Aproveite cada gota deste néctar, receba e plante estas sementes, adube com amor e cresça junto com a Umbanda Sagrada.
segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014
Reflexões sobre a mediunidade
Por Alexandre Cumino
A mediunidade não é um peso e sim um dom. Mas quando não sabemos como trabalhar com ela, pode se tornar um fardo.
Muitos se sentem reféns de dores e sentimentos que se manifestam em seu corpo sem explicação científica, biológica, psicológica ou racional. Em muitos momentos da vida, sentimos que há algo de errado em nós, nos sentimos deslocados do mundo, sentimos que falta um sentido ou uma razão para nossas vidas.
Sentimos “coisas” que não conseguimos explicar e, às vezes, parece que estamos ficando loucos. Muitas vezes parece que temos distúrbios bipolares, tripolares, multipolares… Somos vistos como histéricos, desequilibrados ou esquisitos, apenas porque vemos, ouvimos ou sentimos o mundo espiritual.
Como diria Pai Ronaldo Linares: “Não estamos loucos, apenas descobrimos que somos médiuns”.
Durante muito tempo a psicologia considerou os sintomas da mediunidade como se fossem os mesmos da histeria. Hoje sabemos que histeria não tem hora nem lugar para acontecer e muito menos pode dar um sentido para nossas vidas. Sendo assim, se a mediunidade fosse uma loucura, então seria uma loucura controlada. Somos loucos por Deus, somos místicos no sentido mais forte da palavra: aqueles que vivem uma experiência transcendental direta e visceral com o sagrado. Afinal: a sabedoria que reside no sagrado é loucura para este mundo material e a sabedoria deste mundo é loucura para o sagrado e divino. (I Cor: 1:17)
Ao nos descobrirmos médiuns, passamos a ouvir muitos dogmas e tabus que nem sempre correspondem à verdade sobre nossa mediunidade.
Como por exemplo:
• De que todo médium tem um pesado karma para carregar.
• Que médium é um devedor da Lei maior.
• Que mediunidade é um caminho de sofrimento e dor.
• Que os guias espirituais ajudam a todos menos a seu médium.
• Que um médium deve ser um santo(a), casto(a), puro(a) e ilumina¬do(a), como um avatar ou mestre ascensionado.
• Que médium está destinado a uma vida miserável, sem prosperidade.
• Que o médium assinou um contrato antes de encarnar e que agora deve cumprir seja lá o que for, que ele mesmo não sabe o que foi.
• Que uma vez desenvolvida a mediunidade, a pessoa passa a estar amarrada com a Umbanda e não pode sair mais desta religião. Etc...
Enquanto, na verdade...
• Mediunidade é oportunidade de viver a vida com mais qualidade, com mais sentido, com mais sentimento.
• Mediunidade é oportunidade de contato com nossa família espiritual que nos ama e quer bem.
• Mediunidade é oportunidade de vencer velhas dificuldades, superar apegos, curar dores e vícios.
• Mediunidade é oportunidade de sair do caminho da dor e entrar no caminho do amor.
• Mediunidade é oportunidade de nos libertarmos do peso do karma negativo desta e de outras encarnações.
• Mediunidade é mais vida para nossas vidas.
• Mediunidade é tudo isso e muito mais se for bem trabalhada, e pode ser um caos se mal trabalhada.
Por isso, precisamos, em primeiro lugar, desconstruir certos paradigmas desconexos com a realidade de uma mediunidade saudável. Não basta apenas cuidar do espírito. É necessária uma nova cultura, passar a ver a vida de um ponto de vista integral.
O médium precisa se autoconhecer, precisa aprender a trabalhar suas dores, seus traumas, vícios e dificuldades. O médium precisa aprender a aplicar sobre si mesmo e sobre sua vida os recursos da Umbanda, antes de exigir ou esperar que seus guias façam pelos outros. O mais importante é querer se tornar alguém melhor, uma pessoa mais bacana para si mesmo e para os próximos e os distantes também.
Para conseguir desenvoltura mediúnica na religião de Umbanda, é importante que os médiuns conheçam o mínimo sobre o que é Umbanda, quem são os guias e orixás, o que é uma oferenda, o que são firmezas e assentamentos, o que é magia, o que são pontos cantados e riscados e etc. 99,9% dos médiuns são semiconsientes e entram em crise por acreditar que estão “mistificando”, não sabem se são eles ou os guias se manifestando. Por esta razão, entre outras, é muito importante que o médium de Umbanda estude, aprenda e conheça o que é este dom divino que se manifesta por seu intermédio.
ZenReal: Pombagira executora da Lei e Da Justiça Divina Rec...
ZenReal: Pombagira executora da Lei e Da Justiça Divina Rec...: - Como guia espiritual da esquerda, nós espelhamos os sentimentos de voces, mas também esgotamos os negativismos de cada um; - Cad...
sexta-feira, 31 de janeiro de 2014
Lenda de Oxóssi
Publicado no JNU-Jornal Nacional da Umbanda 28
A cada ano, após a colheita, o rei de Ijexá, saudava a abundância de alimentos com uma festa, oferecendo inhame, milho e coco. O rei comemorava com sua família e seus súditos, só as feiticeiras não eram convidadas. Furiosas com a desconsideração, enviaram à festa um pássaro gigante que pousou no teto do palácio, encobrindo-o e impedindo que a cerimônia fosse realizada.
O rei mandou chamar os melhores caçadores da cidade. O primeiro tinha vinte flechas. Ele lançou todas elas, mas nenhuma acertou o grande pássaro. Então o rei aborreceu-se e o mandou embora. Um segundo caçador se apresentou, este com quarenta flechas, o fato se repetiu novamente e o rei mandou
então prendê-lo.
Bem próximo dali vivia Oxóssi, um jovem que costumava caçar à noite, antes do sol nascer, ele usava apenas uma flecha vermelha.
O rei mandou chamá-lo para dar fim no grande pássaro. Sabendo das punições imposta pelo rei aos outros caçadores, a mãe de Oxóssi temendo pela vida do filho, consultou um babalaô, e os obis mostraram que, se fosse feita uma oferenda para as feiticeiras ele teria sucesso.
A oferenda consistia em sacrificar uma galinha. Nesse exato momento, Oxóssi deveria atirar a sua única flecha. E assim o fez, acertando o pássaro bem no peito ferindo-o de morte.
O rei agradecido pelo feito, deu ao caçador metade de sua riqueza e a cidade de Keto“, terra dos panos vermelhos”, onde Oxóssi governou até a sua morte, tornando-se depois um Orixá.
in “Mitologia dos Orixás” de Reginaldo Prandi, Ed. Companhia das Letras.
Esta lenda mostra claramente que a energia de Oxóssi está ligada à fartura, à prosperidade. É Oxóssi que, com o seu tiro certeiro, mata o pássaro gigante, pousado no teto do palácio, permitindo assim que continue a celebrar-se a abundância de alimentos e recebendo em troca metade da riqueza do rei e uma cidade.
É Oxóssi que, com a sua flecha, providencia para que nada falte ao seu povo , adentrando pelas matas, na calada da noite, sem medo dos perigos, em busca da caça, do alimento. E é a busca constante, à procura do alimento, que lhe permite conhecer as matas, cada árvore, cada folha.
Assim, a energia de Oxóssi está ligada a essa busca que visa em si o conhecimento; não só o conhecimento do mundo que nos rodeia, pois é a energia de Oxóssi que está ligada às diferentes áreas do saber, a ciência, a educação, a filosofia, mas também e principalmente ao conhecimento de nós mesmos, das nossas necessidades, para que possamos crescer e evoluir enquanto seres materiais e espirituais.
É a energia de Oxóssi que vibra em nós, quando refletimos, buscamos o nosso interior, para compreendermos quem somos e quem queremos ser. É neste sentido que a energia de Oxóssi atua como Caçador de Almas que, com a sua flecha certeira, instrumento de fé, nos resgata, nos cura, derrotando o pássaro
gigante que habita dentro de nós , permitindo, assim, que possamos viver com a certeza de que Oxóssi nos guiará no caminho da Luz, sempre buscando, sempre partilhando, para que a fartura, a abundância sejam sempre celebradas por todos nós!
Fonte: A.T.U.P.O. – JORNAL FUNDAMENTO (Portugual)
A cada ano, após a colheita, o rei de Ijexá, saudava a abundância de alimentos com uma festa, oferecendo inhame, milho e coco. O rei comemorava com sua família e seus súditos, só as feiticeiras não eram convidadas. Furiosas com a desconsideração, enviaram à festa um pássaro gigante que pousou no teto do palácio, encobrindo-o e impedindo que a cerimônia fosse realizada.
O rei mandou chamar os melhores caçadores da cidade. O primeiro tinha vinte flechas. Ele lançou todas elas, mas nenhuma acertou o grande pássaro. Então o rei aborreceu-se e o mandou embora. Um segundo caçador se apresentou, este com quarenta flechas, o fato se repetiu novamente e o rei mandou
então prendê-lo.
Bem próximo dali vivia Oxóssi, um jovem que costumava caçar à noite, antes do sol nascer, ele usava apenas uma flecha vermelha.
O rei mandou chamá-lo para dar fim no grande pássaro. Sabendo das punições imposta pelo rei aos outros caçadores, a mãe de Oxóssi temendo pela vida do filho, consultou um babalaô, e os obis mostraram que, se fosse feita uma oferenda para as feiticeiras ele teria sucesso.
A oferenda consistia em sacrificar uma galinha. Nesse exato momento, Oxóssi deveria atirar a sua única flecha. E assim o fez, acertando o pássaro bem no peito ferindo-o de morte.
O rei agradecido pelo feito, deu ao caçador metade de sua riqueza e a cidade de Keto“, terra dos panos vermelhos”, onde Oxóssi governou até a sua morte, tornando-se depois um Orixá.
in “Mitologia dos Orixás” de Reginaldo Prandi, Ed. Companhia das Letras.
Esta lenda mostra claramente que a energia de Oxóssi está ligada à fartura, à prosperidade. É Oxóssi que, com o seu tiro certeiro, mata o pássaro gigante, pousado no teto do palácio, permitindo assim que continue a celebrar-se a abundância de alimentos e recebendo em troca metade da riqueza do rei e uma cidade.
É Oxóssi que, com a sua flecha, providencia para que nada falte ao seu povo , adentrando pelas matas, na calada da noite, sem medo dos perigos, em busca da caça, do alimento. E é a busca constante, à procura do alimento, que lhe permite conhecer as matas, cada árvore, cada folha.
Assim, a energia de Oxóssi está ligada a essa busca que visa em si o conhecimento; não só o conhecimento do mundo que nos rodeia, pois é a energia de Oxóssi que está ligada às diferentes áreas do saber, a ciência, a educação, a filosofia, mas também e principalmente ao conhecimento de nós mesmos, das nossas necessidades, para que possamos crescer e evoluir enquanto seres materiais e espirituais.
É a energia de Oxóssi que vibra em nós, quando refletimos, buscamos o nosso interior, para compreendermos quem somos e quem queremos ser. É neste sentido que a energia de Oxóssi atua como Caçador de Almas que, com a sua flecha certeira, instrumento de fé, nos resgata, nos cura, derrotando o pássaro
gigante que habita dentro de nós , permitindo, assim, que possamos viver com a certeza de que Oxóssi nos guiará no caminho da Luz, sempre buscando, sempre partilhando, para que a fartura, a abundância sejam sempre celebradas por todos nós!
Fonte: A.T.U.P.O. – JORNAL FUNDAMENTO (Portugual)
terça-feira, 21 de janeiro de 2014
Rubens Saraceni e a Umbanda
Fonte: Colégio de Umbanda Pai Benedito de Aruanda.
1 - Entre os católicos é comum que os santos sejam vistos como auxiliares constantes, ou seja, as pessoas pedem auxílio aos santos para questões do dia-a-dia ou situações mais extremas. Esse tipo de relação existe entre os seguidores da Umbanda e os orixás? Eles são vistos como auxiliares constantes, diários? Existem “orações” voltadas para orixás específicos, ou para situações específicas?Na Umbanda os Orixás são entendidos como divindades que tem funções bem definidas na criação, entre as quais as de auxiliar-nos, sendo que elas são bem conhecidas pelos umbandistas, que recorrem a um ou a outro Orixá, sempre de acordo com suas necessidades e procedendo segundo os procedimentos de cada um deles.
Eles estão sempre a nossa disposição e tem sim a suas orações especificas.
2 - Que tipo de poderes (ou energias) os orixás possuem? Como é a relação entre essas energias e as pessoas? Em que elas influenciam ou podem influenciar a vida das pessoas?
Os Orixás possuem poderes (ou energias) conhecidas como Axés, energias estas que, por provirem de divindades são realizadoras na vida dos seres.
Como exemplo podemos citar uma pessoa com sérios embaraços em sua vida e que recorrem ao Orixá Ogum para desembaraçá-la pois o seu axé traz entre outras vibrações divinas uma denominada vibração “desembaraçadora” e cuja função é desembaraçar tudo que estiver embaraçado. Portanto, ao falarmos em Orixá estamos falando de divindades realizadoras.
3 - Qual a diferença entre a importância dos orixás na Umbanda e no Candomblé, se é que existe?Não existe uma diferença de importância dos Orixás na Umbanda e no Candomblé porque em ambas eles são as divindades supremas sustentadoras da criação e só tem acima de si o Divino Criador Olorum.
4 - Na mitologia, originalmente os orixás eram pessoas comuns que foram elevadas à categoria de divindades. Essa situação tem algo a ver com o que hoje se denomina ascensão?Na Mitologia tradicional dos Orixás eles foram descritos como seres humanos excepcionais e fundadores dos reinos e cidades míticas associadas a eles na região da África hoje conhecida como Nigéria. Mas, na Umbanda eles têm recebido uma nova interpretação onde são descritos como divindades- mistérios do Divino Criador Olorum.
Esclarecidas as visões dos Orixás no Candomblé e na Umbanda então podemos afirmar que sim, tal como no Cristianismo Jesus ascendeu, os Orixás Mitológicos também ascenderam.
5 - Como uma pessoa pode saber a qual ou quais orixás ela está conectada energeticamente?Uma pessoa pode saber a qual ou quais Orixás ela está conectada energicamente através de vários métodos ou jogos divinatórios tais como: o jogo de búzios, de cauris, do edingolum ou merindingolum, isto no Candomblé pois na Umbanda os processos de identificação são manipulados pelos Guias espirituais.
6 - Por que tantas pessoas costumam associar a Umbanda e os orixás ao mal e a demônios?Se tem muitas pessoas que costumam associar a Umbanda e os Orixás ao mal e a demônios isto se deve a intolerância religiosa, ao preconceito e ao racismo, infelizmente mascarados nas mensagens de supremacia de um deus branco e cristão, ignorância esta propagada continuamente por pessoas seguidoras de certas seitas cristãs.
7 - Existem muitas pessoas na Umbanda que psicografam mensagens?Na Umbanda o fenômeno da psicografia não é tão cultivado quanto no espiritismo, mas após o surgimento das obras psicografadas por mim começou a surgir muitos outros médiuns umbandistas também possuidores desta faculdade mediúnica, fato esse comprovado pelos inúmeros livros já editados e que foram psicografados nos anos recentes.
8 - Todas as pessoas que entram na Umbanda devem necessariamente incorporar um espírito?A pessoa, para ser classificada como médium umbandista tem que possuir a faculdade mediúnica de incorporação.
Agora, para ser umbandista não tem que possui-la e basta converter-se a Umbanda e seguir seus preceitos.
9 - Como a Umbanda vê a questão da obsessão espiritual?A Umbanda vê a questão da obsessão espiritual de duas formas:
1. Como um problema cármico
2. Como um desequilíbrio profundo no intimo do encarnado e que atrai seus afins desencarnados.
10 - O que você pensa a respeito da abordagem que a mídia tem sobre a Umbanda e os orixás, em particular nas obras de ficção?Eu creio que a abordagem da mídia sobre a Umbanda e os Orixás é deficiente e isso deve-se ao fato de que a maioria dos repórteres e jornalistas tem dificuldade de entender a profundidade religiosa existente por trás dos trabalhos espirituais realizados nas sessões de atendimento ao publico pelos guias espirituais.
Confundem os espíritos incorporados, dando consultas , dando passes energéticos e realizando descarregos com algo caótico ou pagão e não diferenciam esse tipo de trabalho socorrista, que aberto, da religião em si e da grandeza dos Orixás que dão sustentação a todos os trabalhos realizados pelos seus falangeiros ou guias espirituais.
11 - É possível uma pessoa “utilizar” o poder de um orixá - seja para o bem ou para o mal - ou os orixás não permitem que suas energias sejam utilizadas?O Orixá é um poder divino estável na criação e não estão sujeitos a desvios de condutas, inerentes aos seres humanos.
Agora, espíritos ou forças da natureza regidos pelos Orixás e que são seres ainda em revolução, estes sim tanto podem ser direcionados para o bem tanto quanto para o mal, tudo dependendo do grau de evolução deles.
12 - Existe diferença do termo “orixá” para a Umbanda, Candomblé e Quimbanda?Não existe diferença do termo Orixá, a não ser na grafia, para Umbanda, Candomblé e Quimbanda.
1 - Entre os católicos é comum que os santos sejam vistos como auxiliares constantes, ou seja, as pessoas pedem auxílio aos santos para questões do dia-a-dia ou situações mais extremas. Esse tipo de relação existe entre os seguidores da Umbanda e os orixás? Eles são vistos como auxiliares constantes, diários? Existem “orações” voltadas para orixás específicos, ou para situações específicas?Na Umbanda os Orixás são entendidos como divindades que tem funções bem definidas na criação, entre as quais as de auxiliar-nos, sendo que elas são bem conhecidas pelos umbandistas, que recorrem a um ou a outro Orixá, sempre de acordo com suas necessidades e procedendo segundo os procedimentos de cada um deles.
Eles estão sempre a nossa disposição e tem sim a suas orações especificas.
2 - Que tipo de poderes (ou energias) os orixás possuem? Como é a relação entre essas energias e as pessoas? Em que elas influenciam ou podem influenciar a vida das pessoas?
Os Orixás possuem poderes (ou energias) conhecidas como Axés, energias estas que, por provirem de divindades são realizadoras na vida dos seres.
Como exemplo podemos citar uma pessoa com sérios embaraços em sua vida e que recorrem ao Orixá Ogum para desembaraçá-la pois o seu axé traz entre outras vibrações divinas uma denominada vibração “desembaraçadora” e cuja função é desembaraçar tudo que estiver embaraçado. Portanto, ao falarmos em Orixá estamos falando de divindades realizadoras.
3 - Qual a diferença entre a importância dos orixás na Umbanda e no Candomblé, se é que existe?Não existe uma diferença de importância dos Orixás na Umbanda e no Candomblé porque em ambas eles são as divindades supremas sustentadoras da criação e só tem acima de si o Divino Criador Olorum.
4 - Na mitologia, originalmente os orixás eram pessoas comuns que foram elevadas à categoria de divindades. Essa situação tem algo a ver com o que hoje se denomina ascensão?Na Mitologia tradicional dos Orixás eles foram descritos como seres humanos excepcionais e fundadores dos reinos e cidades míticas associadas a eles na região da África hoje conhecida como Nigéria. Mas, na Umbanda eles têm recebido uma nova interpretação onde são descritos como divindades- mistérios do Divino Criador Olorum.
Esclarecidas as visões dos Orixás no Candomblé e na Umbanda então podemos afirmar que sim, tal como no Cristianismo Jesus ascendeu, os Orixás Mitológicos também ascenderam.
5 - Como uma pessoa pode saber a qual ou quais orixás ela está conectada energeticamente?Uma pessoa pode saber a qual ou quais Orixás ela está conectada energicamente através de vários métodos ou jogos divinatórios tais como: o jogo de búzios, de cauris, do edingolum ou merindingolum, isto no Candomblé pois na Umbanda os processos de identificação são manipulados pelos Guias espirituais.
6 - Por que tantas pessoas costumam associar a Umbanda e os orixás ao mal e a demônios?Se tem muitas pessoas que costumam associar a Umbanda e os Orixás ao mal e a demônios isto se deve a intolerância religiosa, ao preconceito e ao racismo, infelizmente mascarados nas mensagens de supremacia de um deus branco e cristão, ignorância esta propagada continuamente por pessoas seguidoras de certas seitas cristãs.
7 - Existem muitas pessoas na Umbanda que psicografam mensagens?Na Umbanda o fenômeno da psicografia não é tão cultivado quanto no espiritismo, mas após o surgimento das obras psicografadas por mim começou a surgir muitos outros médiuns umbandistas também possuidores desta faculdade mediúnica, fato esse comprovado pelos inúmeros livros já editados e que foram psicografados nos anos recentes.
8 - Todas as pessoas que entram na Umbanda devem necessariamente incorporar um espírito?A pessoa, para ser classificada como médium umbandista tem que possuir a faculdade mediúnica de incorporação.
Agora, para ser umbandista não tem que possui-la e basta converter-se a Umbanda e seguir seus preceitos.
9 - Como a Umbanda vê a questão da obsessão espiritual?A Umbanda vê a questão da obsessão espiritual de duas formas:
1. Como um problema cármico
2. Como um desequilíbrio profundo no intimo do encarnado e que atrai seus afins desencarnados.
10 - O que você pensa a respeito da abordagem que a mídia tem sobre a Umbanda e os orixás, em particular nas obras de ficção?Eu creio que a abordagem da mídia sobre a Umbanda e os Orixás é deficiente e isso deve-se ao fato de que a maioria dos repórteres e jornalistas tem dificuldade de entender a profundidade religiosa existente por trás dos trabalhos espirituais realizados nas sessões de atendimento ao publico pelos guias espirituais.
Confundem os espíritos incorporados, dando consultas , dando passes energéticos e realizando descarregos com algo caótico ou pagão e não diferenciam esse tipo de trabalho socorrista, que aberto, da religião em si e da grandeza dos Orixás que dão sustentação a todos os trabalhos realizados pelos seus falangeiros ou guias espirituais.
11 - É possível uma pessoa “utilizar” o poder de um orixá - seja para o bem ou para o mal - ou os orixás não permitem que suas energias sejam utilizadas?O Orixá é um poder divino estável na criação e não estão sujeitos a desvios de condutas, inerentes aos seres humanos.
Agora, espíritos ou forças da natureza regidos pelos Orixás e que são seres ainda em revolução, estes sim tanto podem ser direcionados para o bem tanto quanto para o mal, tudo dependendo do grau de evolução deles.
12 - Existe diferença do termo “orixá” para a Umbanda, Candomblé e Quimbanda?Não existe diferença do termo Orixá, a não ser na grafia, para Umbanda, Candomblé e Quimbanda.
Pai Rubens Saraceni

Rubens Saraceni é um médium e escritor brasileiro, nasceu em Osvaldo Cruz em São Paulo em 1951, e há mais de 25 anos exerce sua mediunidade e faz seus estudos no campo da espiritualidade.
Seus inúmeros livros já publicados são psicografados, ditados e orientados pelos Mestres. Sua jornada, segundo conta, foi iniciada no espiritismo de "mesa branca", passando posteriormente para a Umbanda, onde se tornou Sacerdote de Umbanda Sagrada.
Há muitos anos, o médium Rubens Saraceni, que tem uma enorme quantidade de livros psicografados e dezenas deles publicados, recebeu um pedido dos Mestres da Luz, Guias de Lei e de Umbanda, no qual solicitavam que as informações reveladoras, por eles transmitidas, não fossem apenas para seu bel prazer, e sim para que, por meio dele, o conhecimento se multiplicasse.
Com isso, Rubens começou a ministrar o curso de Teologia de Umbanda, um curso simples e teórico, visando a uma melhor formação do médium umbandista em relação aos Fundamentos da Umbanda.
Desse convívio, Rubens se deu conta do valor do que havia recebido, pois há muitos anos praticava a Magia Divina ensinada por seus Mentores, que se mostrou fundamental na proteção daqueles que o procuravam.
Foi quando os Mestres da Luz ressaltaram a importância de consolidar-se no lado material um Colégio nos moldes dos Grandes Colégios Astrais, que sustentam toda a formação daqueles que se assentam à direita e à esquerda dos Sagrados Orixás, Tronos e Divindades de Deus. Daí surgiu o Colégio de Umbanda Sagrada Pai Benedito de Aruanda, para dar formação mediúnica e sacerdotal de Umbanda, bem como, sustentação, Religiosa e Magística aos que buscam o Conhecimento Sagrado sobre O Divino Criador Olorum (Deus),suas Divindades e seus Mistérios Geradores.
Mestre Seiman Hamiser Yê, um Ogum Sete Espadas da Lei e da Vida, assumiu a abertura da Magia do Fogo no plano material, por meio de Rubens Saraceni, na qual são ensinados os fundamentos da Magia Riscada dos Orixás, a Grafia Sagrada, bem como a correta utilização magística das velas, suas cores e o elemento fogo na arte da Magia.
O primeiro curso do gênero aberto ao plano material por Mestre Seiman, e que deve ser o primeiro na formação do Mago, intitula-se "Magia das Sete Chamas Sagradas".
Rubens é também o fundador do Colégio Tradição de Magia Divina, colégio este que se destina a dar amparo aos formados nas magias abertas ao plano material e espiritual.
segunda-feira, 20 de janeiro de 2014
Oxossi-20 de janeiro
Oxóssi é a Divindade que está assentada no pólo positivo do Trono do Conhecimento.
Oxóssi irradia o Conhecimento e atua em nosso mental estimulando nossa busca pelo conhecimento no sentido mais amplo da palavra, de modo a expandir todos os Sentidos da nossa vida. Ele também ampara os seres que fazem bom uso dos conhecimentos adquiridos (aplicando-os para a própria evolução e no esclarecimento e auxílio ao próximo).
Por isso, Oxóssi representa o arquétipo do Grande Caçador: aquele que vai buscar e nos traz o Conhecimento e respostas inteligentes às nossas necessidades de aprendizado e evolução.
Oxóssi é o raciocínio hábil, o cientista, o doutrinador, é o grande comunicador, é a Divindade da Expansão.
É o Senhor do Reino Vegetal, dono de todos os frutos, ervas e flores e de toda a vida existente nas florestas, campos, matas e adjacências. É o Senhor da fauna e da flora planetárias.
Seu primeiro Elemento de atuação é o Vegetal (que nos purifica, limpa, nutre e cura) e o seu segundo Elemento é o Ar (que leva, espalha e expande).
Seu culto é muito difundido no Brasil.
HISTÓRIA
Na África, Oxóssi era cultuado basicamente no Keto, Nação praticamente destruída no século XIX, pelas tropas do então rei do Daomé. Então, os filhos consagrados a Oxóssi foram vendidos como escravos no Brasil, nas Antilhas e em Cuba. E assim o culto a Oxóssi na África foi praticamente esquecido.
No Candomblé, Oxóssi é o rei de Keto, filho de Oxalá e Yemanjá. É a Divindade da caça, que vive nas florestas, e cujos principais símbolos são o arco e flecha (Ofá) e um rabo de boi (Eruexim). Foi um caçador de elefantes, animal associado à realeza e aos antepassados.
Sua dança, de ritmo “corrido”, simula o gesto de atirar flechas para a direita e para a esquerda. Ele imita o cavaleiro que persegue a caça, deslizando devagar, e que às vezes pula e gira sobre si mesmo. É uma das danças mais bonitas do Candomblé.
Em algumas lendas do culto de Nação, Oxóssi aparece como irmão de Ogum e de Exu.
Isso acontece porque Oxóssi, Ogum e Exu, entre outros atributos, são vistos na cultura africana como guerreiros e caçadores, pois sempre vão à frente, buscando e abrindo caminhos; embora Oxóssi seja o Caçador por excelência.
É importante lembrar que o culto de Orixá vem da África, de uma cultura tribal, na qual os homens saíam para caçar, quando não viviam da agricultura. E quem sai para caçar e trazer alimento para a tribo é o caçador.
Mas numa vida tribal, o caçador também é o guerreiro que enfrenta os perigos da floresta e depois traz alimento e informações para o grupo. O caçador não saía apenas para buscar alimento, ele também ia buscar conhecimentos (sobre a região, sobre os animais e a floresta, sobre outras tribos etc.). Havia situações em que ele ficava vários dias ausente, e na volta trazia as novidades, as notícias.
E quando um grupo saía para caçar, alguns se ocupavam com a caça, enquanto outros ficavam em torno, para proteger os caçadores. Estes que faziam a proteção atuavam como guardiões, tendo uma relação com o Orixá Exu, pois ficavam escondidos no escuro da mata, adiantavam-se, e depois passavam para os caçadores informações seguras sobre o caminho a seguir.
E cada vez que o grupo avançava, um seguia na frente. Era o mateiro, aquele que ia à frente do grupo com um facão para abrir o caminho, tendo uma relação com o Orixá Ogum. Tudo isso explica porque Oxóssi, Ogum e Exu são considerados irmãos, dentro do Culto de Nação. Eles têm Qualidades ou atributos semelhantes, que os tornam “irmãos”.
E sendo Ogum também o Orixá do ferro, foi dele que Oxóssi recebeu suas armas de caçador, nascendo aqui outro ponto de ligação entre ambos.
Vale lembrar que na Umbanda Oxóssi é sincretizado com São Sebastião. Mas no
Candomblé baiano está sincretizado com São Jorge e Ogum. Ocorre que tanto São Sebastião quanto São Jorge foram soldados do Imperador romano Diocleciano, que muito perseguiu e matou os cristãos. São Sebastião e São Jorge foram soldados, tinham a mesma função, e isso também lembra a questão da “irmandade” de Oxóssi e Ogum, tratada no culto de Nação. Por outro lado, São Jorge “caçava o dragão”, perseguiu-o até derrotá-lo, e isso nos mostra outro aspecto desse guerreiro e sua “irmandade” com Oxóssi.
Ainda dentro desses conceitos de Nação, Oxóssi vive na floresta, onde moram os espíritos.
Está relacionado com as árvores e os antepassados. As abelhas lhe pertencem e representam os antepassados femininos. Relaciona-se com os animais em geral, imitando seus gritos com perfeição. É o caçador valente, ágil e generoso, que propicia a caça, domina a flora e a fauna e protege contra o ataque das feras. Gera o sustento, a alimentação abundante, o progresso e a riqueza para o homem. Neste sentido se diz que
Oxossi é o que basta a si mesmo.
A ele estiveram ligados alguns Orixás femininos, mas o maior destaque é para Oxum.
Diz um mito que Oxóssi encontrou Iansã na floresta, sob a forma de um grande elefante, que se transformou em mulher. Casou-se com ela e tiveram muitos filhos, mas depois se separaram e seus filhos foram criados por Oxum. Abandonado por Iansã, Oxóssi se torna “um solitário solteirão” que vive nas matas fechadas, também porque, como caçador, tinha de se afastar das mulheres, consideradas nefastas à caça.
Esses mitos revelam vários significados.
Primeiro, as principais Qualidades do Orixá Oxóssi estão voltadas para o campo mental, na busca e aprimoramento do Sentido do Conhecimento. E o seu domínio sobre as matas fechadas traz a simbologia da atuação desse Orixá sobre a pureza do vegetal, que nos limpa, cura e nos realimenta. Isso explicaria o “isolamento” e “a solidão” de Oxóssi.
Por outro lado, a união de Oxóssi com Iansã representa o papel direcionador e movimentador da Mãe Iansã no campo do Conhecimento (regido por Oxóssi), para facilitar a expansão e a difusão desse Conhecimento. E a união de Oxóssi com Oxum representa que a busca do Conhecimento precisa estar equilibrada pelo Amor (regido por Oxum), para nos trazer benefícios reais. Estes dois mitos evidenciam que os Orixás atuam de forma sistêmica, nada está isolado na Criação Divina.
As lendas eram uma forma de se perpetuar o culto aos Orixás. Falavam sobre as várias Qualidades de cada Orixá, mas de um modo que os “humanizava”, ou seja, as lendas falavam sobre o Orixá a partir de um ponto de vista humano, para que todas as pessoas que as ouvissem se identificassem com o relato, de forma que a tradição, que era passada de boca a ouvido, não fosse esquecida.
LENDAS
O ORIXÁ DA CAÇA E DA FARTURA
Em tempos distantes, Odùdùwa, Rei de Ifé, diante do Palácio Real, chefiava seu povo na festa da colheita dos inhames. A colheita do ano havia sido farta e, em homenagem, todos deram uma grande festa, comendo inhame e bebendo vinho de palma. De repente, um grande pássaro pousou sobre o Palácio, lançando seus gritos malignos e farpas de fogo, com intenção de destruir tudo que por ali existia, pois não havia sido oferecida parte da colheita às feiticeiras Ìyamì Òsóróngà. Todos se encheram de pavor, prevendo desgraças e catástrofes.
O Rei mandou buscar Osotadotá, o caçador das 50 flechas que, arrogante e cheio de si, errou todas as suas investidas, desperdiçando suas 50 flechas. O rei então chamou Osotogi, com suas 40 flechas. Embriagado, este guerreiro também desperdiçou todas as suas investidas contra o grande pássaro. Ainda foi convidado para matar o pássaro, das distantes terras de Idô, Osotogum, o guardião das 20 flechas. Fanfarrão, ele atirou em vão suas 20 flechas contra o pássaro encantado.
Por fim, o rei convocou, da cidade de Ireman, Òsotokànsosó, o caçador de apenas uma flecha. A mãe do caçador sabia que as feiticeiras viviam em cólera e que nada poderia ser feito antes de uma oferenda para apaziguá-las. Ela foi consultar Ifá. Os Babalaôs disseram-lhe para preparar oferenda com ekùjébú (grão muito duro), também um frango òpìpì (frango com as plumas crespas), èkó (massa de milho envolta em folhas de bananeira) e seis kauris (búzios). Pediram ainda que colocasse a oferenda numa estrada, sobre o peito de um pássaro sacrificado em intenção, e que durante a oferenda recitasse o seguinte: "Que o peito da ave receba esta oferenda". Ela obedeceu.
Neste exato momento, seu filho Òsotokànsosó disparava sua única flecha em direção ao pássaro, que abriu sua guarda para receber a oferenda da mãe do caçador, recebendo também a flecha certeira e mortal de Òsotokànsosó. Então, todos começaram a dançar e a gritar de alegria:"Oxossi! Oxossi!" (=caçador do povo). A partir desse dia, todos conheceram o maior guerreiro de todas as terras, que foi reverenciado com honras e carrega seu título até hoje: Oxossi.
Essa lenda nos fala de Oxóssi como o Grande Caçador, o Senhor da caça, que traz a fartura e a abundância para todos. E também fala da precisão, “da flecha certeira”, da determinação e objetividade firmes de Oxóssi: “o caçador” que estabelece o alvo e se prepara para atingi-lo, conhecendo e respeitando as forças da natureza, e que age sem arrogância, sem vaidade, mas de forma racional, lúcida.
CARACTERÍSTICAS DOS FILHOS DE OXÓSSI:
Os filhos de Oxóssi apresentam características do arquétipo atribuído ao Orixá.
Representam o homem impondo sua marca sobre o mundo selvagem, nele intervindo para sobreviver, mas sem alterá-lo.
No positivo: São joviais, rápidos e espertos, mental e fisicamente. Cheios de iniciativa, dotados de um espírito curioso e observador, estão abertos a novas descobertas e novas atividades e são geralmente desbravadores, pioneiros. Têm grande capacidade de concentração e de atenção, firme determinação de alcançar seus objetivos e paciência para aguardar o momento correto para agir. Lidam bem com a realidade material, têm os pés ligados à terra, o que não quer dizer que sejam ambiciosos em demasia.
Possuem extrema sensibilidade, qualidades artísticas, criatividade e gosto apurado. Sua estrutura psíquica é emotiva e romântica. São discretos, não gostam de fazer julgamentos sobre os outros e respeitam muito o espaço individual de cada um.
Independentes, não apreciam muito os trabalhos em equipe. Mas têm grande senso de dever e de responsabilidade, principalmente em relação aos cuidados para com a família (pois o “caçador” tem a responsabilidade de sustentar a tribo).
Sentem a necessidade do silêncio para desenvolver a capacidade de observação, e neste aspecto são reservados. Isso pode levá-los ao rompimento de laços, o que não quer dizer que sejam instáveis em seus amores.
Fisicamente, tendem a ser magros, um pouco nervosos, mas controlados.
No negativo: Tornam-se muito solitários, fechados, introvertidos, críticos, respondões, brigam por qualquer motivo e podem tornar-se vingativos.
QUANDO OFERENDAR OXÓSSI:
Para expandir qualquer coisa
FIRMEZA PARA OXÓSSI:
Quartinha Verde com ervas maceradas e uma pedra verde.
LINHA DE TRABALHO QUE DÁ SUSTENTAÇÃO
Caboclos
OFERENDA
Local: bosques e matas. Material: Velas brancas, verdes e cor-de-rosa; cerveja branca, vinho doce e licor de caju; flores do campo, ervas e frutas variadas.
terça-feira, 14 de janeiro de 2014
O "Passe Espírita" e o "Passe Umbandista"
“A um médium é solicitado
que conheça o mínimo indispensável para que possa realizar as práticas de
Umbanda e seus rituais. Também é exigido que estude um pouco, porque só assim,
entenderá tudo o que acontece dentro de um templo de Umbanda durante a
realização das giras de trabalho.” Rubens Saraceni
Por Alexandre Cumino (Publicado no JNU- 01 - 15/11/2010)
1 Rubens Saraceni. Código de Umbanda. São Paulo:
Ed. Madras, 2006. P.79
A palavra “passe” tem origem no
Espiritismo, codificado por Allan Kardec, e traz a idéia de “passar” ou
“transmitir” algo a alguém. A doutrina codificada por Kardec tem base cristã e
encontra no Evangelho as muitas passagens em que Jesus cura as pessoas e “expulsa”
espíritos indesejados por meio da imposição de mãos. Algo que vamos encontrar
em muitas outras culturas como a egípcia, a grega, a celta, a chinesa, a
indiana ou em tradições indígenas e xamãnicas. Estudiosos do passado e do
presente se debruçam sobre os fundamentos científicos das técnicas de “passe
magnético”, desde Hermes Trimegistro, Fo-Hi, Asclépio, Pitágoras, Hipócrates,
Paracelso, Van Helmont, Mesmer, Du Potet e outros.
Na obra de Allan Kardec vamos
encontrar (A Gênese, Cap. XIV, 1:14, 15 e 18) a descrição dos “Fluidos” e sua
manipulação:
Os Espíritos atuam sobre os
fluidos espirituais, não os manipulando como os homens manipulam os gases, mas
por meio do pensamento e da vontade. O pensamento e a vontade são para os
Espíritos o que a mão é para os homens...
Pode-se dizer, sem receio de
errar, que há nesses fluidos, ondas e raios de pensamentos, que se cruzam sem
se confundirem, como há no ar ondas e raios sonoros...
O pensamento do encarnado
atua sobre os fluidos espirituais como o dos desencarnados; transmite-se de
Espírito a Espírito pelo mesmo veículo, e, conforme sua boa ou má qualidade,
saneia ou vicia os fluidos circundantes...
“Quando o Espírito é de
elevada categoria, possui grande poder curativo, muito diferente e muito melhor
que o que possui o magnetizador encarnado.” Edgard Armond2 (2 Edgard Armond. Passes e Radiações: Métodos Espíritas de Cura. São Paulo: Ed. Aliança, 1997. P. 85)
O “Passe Umbandista” não
é apenas um “passe magnético” ou material e sim um “Passe Espiritual”, aplicado
por um espírito. Assim como Edgard Armond classificou diferentes métodos de
aplicação do Passe Magnético para diferentes necessidades, também os espíritos
que se manifestam na Umbanda aplicam métodos variados de acordo com a necessidade
de cada consulente, dentro dos variados recursos que cada espírito guia
entidade/mentor, possui. Sem esquecer que cada um recebe na medida de seu
merecimento e afinidade, podendo um encarnado bloquear uma ação positiva
direcionada a ele mesmo como conseqüência de sua postura mental. Pois muitos
merecem, mas não estão abertos emocionalmente ou psicologicamente para receber
o que a espiritualidade lhe oferece, por vários motivos como descrença,
irritação, mentalidade critica e posturas interesseiras desfocadas de um
objetivo espiritual.
O “Passe Umbandista”, para além
de “Passe Espiritual”, pode ser definido como a aplicação de um conjunto de
técnicas mágico-religiosas, além de explorar todos os recursos possíveis de
imposição de mãos, utiliza elementos e técnicas variadas e até inusitadas.
“Porém, enquanto nos centros
espíritas usa-se o passe magnético, nos centros de Umbanda também se recorre
aos passes energéticos, quando são usados diversos materiais (fumo, água,
ervas, pedras ou colares, etc.) que descarregam os acúmulos negativos alojados
nesses campos eletro-magnéticos... Nem sempre o que parece folclore ou
exibicionismo realmente o é. Se os mentores dos médiuns de Umbanda exigem
determinados colares de pedras, eles sabem para que servem e dominam seu magnetismo,
assim como as energias minerais cristalinas irradiadas pelas pedras. Ervas e
fumo, quando potencializadas com energias etéreas pelos mentores, também se
tornam poderosos limpadores de campos eletromagnéticos.”3
A finalidade é de alcançar maior êxito de acordo
com as necessidades, o merecimento e os recursos disponíveis. Cada entidade tem
a liberdade de aplicar a técnica que lhe aprouver, desde que dentro dos limites
de ética, bom senso e respeito. Embora haja um conjunto de métodos e recursos característicos
da Umbanda. Muitas entidades, em especial os pretos velhos, por exemplo,
realizam o benzimento, que se distingue do “Passe Magnético”, por empregar uma
ação mais relacionada ao poder do verbo, elementos e simbologia, considerada
“Magia Popular”. Também é possível identificar métodos complexos de Magia
Riscada (Magia de Pemba), abrindo espaços mágicos (Pontos Riscados) que muitas
vezes lembram Mandalas do Hinduismo ou mesmo Fórmulas Cabalisticas da Real Arte
Simbólica e Mística Hebraica entre outras práticas de Ocultismo e Hermetismo.
Entre os elementos mais utilizados podemos identificar velas, água, óleo,
pedras, essências, fumo, ervas, tecidos, ponteiros e a citada pemba (giz
utilizado para traçar símbolos),
dentro de um ambiente de terreiro, mágico-religioso por natureza. Nos métodos
se observam rezas, orações, preces, evocações, invocações, determinações e
fórmulas mágico-religiosas associadas a banhos, defumações, oferendas e outros.
Todos estes recursos estão mais
ou menos associados ao “Passe Umbandista”, no qual se cria um ambiente de Som,
Cores, Aromas e Luzes, capaz de inebriar de forma positiva todos os cinco
sentidos do consulente a fim de conduzi-lo a certo estado de consciência
desejado.
Durante o “Passe Umbandista”
observamos a entidade espiritual fazer a imposição de mãos, segurar velas
direcionadas aos chakras ou traçando movimentos no ar, colocam colares (guias)
no pescoço do consulente ou o colocam dentro da mesma em circulo no chão.
Atiram ponteiros em pontos riscados, fazem gestos rituais e movimentos com os
pés e mãos que nos faz crer na “Magia Gestual”. Em meio a tantos recursos, que
nos encantam e fascinam, nos chama a atenção, em especial, o estalar de
dedos, bem característico em quase todas as linhas de trabalho. Muitas
pesquisas e especulações já foram realizadas sobre esta prática, entre elas são
identificadas as energias que existem na ponta de cada um dos dedos da mão, que
são pequenos chakras ou vórtices de energia (“chacrinhas”), e, o “choque”
vibratório desencadeado no ar quando o dedo médio estala sobre a região da mão
chamada de “monte de Vênus”, causando vibração astral e sonora o que desperta
certa energia dentro do campo em que está atuando. Este “Estalar de Energias”
pode assumir contextos vaiados de acordo com o que esteja associado, por meio
do pensamento ou movimentos. Além deste contexto pode-se usar o estalar de
dedos como um simples gesto de descarregar as energias absorvidas pelas palmas
das mãos. Um caboclo ou outro espírito guia eleva sua mão ao alto (ou ao lado)
buscando certa energia que será irradiada ao consulente, num movimento rápido,
ao mesmo tempo em que transmite esta energia positiva, retira os eflúvios
negativos e os “descarrega” com um estalar de dedos. Os movimentos
longitudinais, transversais e circulares também foram descritos na obra de
Edgard Armond, em que: Os passes longitudinais movimentam os fluidos, os
transversais os dispersam e os circulares e as imposições de mãos os
concentram, o mesmo sucedendo com o sopro quente. Este último
merecendo ainda um estudo à parte.
No entanto pode-se associar
procedimentos mais ou menos magísticos com os mesmos, ou seja, a relação entre
estalos e números com o poder de realização que cada um deles possui,
aplicando-se seqüências de estalos que podem variar, por exemplo, de
2x3,3x3,4x3 ou ainda estalos que desenham formas geométricas no ar. Lembrando
que a aplicação de símbolos associados a idéias e intenções, com suas
respectivas invocações é a mais explicita “magia simbólica”, encontrada nas
mais variadas culturas. Assim seqüências de estalos “desenham” no ar, cruzes,
estrelas e círculos; firmando ou estabelecendo pontos e espaços vibratórios,
aos quais podem ter função nesta realidade ou abrir portais para outras
realidades.
Muito mais
poderíamos escrever sobre o “Passe Umbandista” e seus recursos, no entanto não
pretendemos em um único artigo esgotar o que é inesgotável. Fica aqui um
comentário final sobre a importância do estudo, não para complicar o que é
realizado de forma tão simples por nossos guias de Umbanda, mas com a
finalidade de compreendermos o que eles realizam, com a consciência de que eles
sim estudam e estudaram muito para realizar este trabalho espiritual. Não
estudamos por um movimento do Ego ou para substituir a presença dos mesmos, mas
para lhes oferecer maiores recursos psíquicos, espirituais e materiais.
Estudamos para ver o quanto somos ainda “neófitos” (aprendizes) nesta senda, em
que Caboclo (a), Preto Velho (a), Baiano (a), Boiadeiro (a), Marinheiro (a),
Cigano (a), Exu e Pomba Gira são nossos Mestres.
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